Quinta-feira, 5 de Outubro de 2006

Juros Voltam a Subir

Arne Dedert EPA 

Jean-Claude Trichet


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Pela quinta vez em menos de um ano
Juros devem voltar a subir hoje 
05.10.2006 - 08h20   Pedro Ribeiro
 

O Banco Central Europeu (BCE) deve anunciar hoje ao final da manhã mais um aumento na sua taxa de juro de referência. Quase todos os especialistas dos mercados financeiros esperam que, pela quinta vez desde Dezembro, o banco aumente o preço do dinheiro na zona euro em 0,25 pontos percentuais - e há quem espere mesmo uma subida mais abrupta, de 0,5 pontos.

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, deverá anunciar um novo aumento porque a instituição continua preocupada com a inflação. Em 2006, a variação dos preços tem estado sistematicamente bastante acima da referência de 2 por cento fixada pelo BCE.

No final do mês passado, o agregado monetário M3 registou um crescimento de 8,2 por cento relativamente ao mesmo mês do ano anterior - um crescimento muito para lá do esperado. O BCE acompanha o M3 como previsor da inflação a médio prazo; o aumento deste agregado, que mede a quantidade de dinheiro em circulação na economia da zona euro, torna quase inevitável que o BCE suba as taxas hoje.

E os aumentos podem não ficar por aqui. Os dados mais recentes sobre o crescimento da economia europeia deram ao banco de Frankfurt confiança em que a retoma na zona euro é sólida e irá necessitar de taxas de juro mais altas. Os mercados esperam que a taxa directora do BCE - que está actualmente nos 3 por cento - acabe 2006 nos 3,5 por cento.

Ora, qual é o significado de o BCE subir as taxas? Significa que pedir dinheiro emprestado fica mais caro na zona euro. As empresas pagam mais para obter financiamentos; os particulares (especialmente os que têm crédito à habitação indexado a taxas variáveis, caso de centenas de milhares de pessoas em Portugal) pagam mais pelas suas prestações mensais; os Estados pagam mais pelos juros das suas dívidas públicas.

Além disso, taxas de juro mais altas significam um euro mais forte - e isso prejudica a competitividade cambial das exportações da zona euro. Todos estes factores contribuem para inibir algum crescimento económico. O BCE argumenta, no entanto, que isto é necessário para evitar um mal maior - a inflação. Há quem não concorde.

Um dos críticos é o ministro das Finanças francês, Thierry Bréton, cujo país será, aliás, o anfitrião da reunião do conselho de governadores do BCE de hoje (que se realiza em Paris, e não como habitualmente na sede do banco em Frankfurt).

"O banco não deve prejudicar" a incipiente retoma europeia, disse Bréton no final de Setembro, sugerindo que os quatro aumentos determinados pelo banco nos últimos dez meses já foram suficientes para controlar a inflação.

Axel Weber, governador do Bundesbank alemão, discorda - argumentando que o aliviar dos preços do petróleo (e portanto da inflação) a partir do Verão pode ser meramente temporário: "É prematuro presumir que a redução das pressões inflacionárias é permanente", disse Weber à Reuters na semana passada.

A Reserva Federal (Fed, banco central) dos Estados Unidos começou a subir as taxas ainda mais cedo e a um ritmo ainda mais vertiginoso que o BCE. No entanto, perante a expectativa de um abrandamento da economia americana, a Fed interrompeu as subidas da sua taxa directora durante o Verão.

Portugal é especialmente vulnerável

Normalmente é bom sinal que um banco central suba as suas taxas de juro. A subida costuma vir associada a um crescimento robusto da economia. Se as taxas subirem mas o produto interno bruto (PIB) também, os rendimentos de empresas e particulares crescerão tanto ou mais que os encargos com juros.

A zona euro encetou uma retoma, tímida mas aparentemente sustentada, desde o final de 2005. Mas a retoma não beneficia todos os Doze por igual. E Portugal é dos países da zona euro que crescem menos.

Pior: Portugal é um dos países da zona euro onde as empresas têm um grau de endividamento mais alto; a dívida pública portuguesa não é muito alta para padrões europeus mas está numa trajectória ascendente; e virtualmente todo o crédito à habitação em Portugal está indexado a taxas variáveis, o que significa que muitas famílias irão sentir directamente o impacto das taxas mais altas no bolso, através de prestações mensais mais altas.



Glossário


Taxa de juro
É a percentagem, que costuma ser expressa anualmente, de quanto um devedor tem de pagar a um credor por um empréstimo – é o “preço do dinheiro”
Taxa directora
O conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) fixa “taxas directoras” para a zona euro como instrumento de política monetária; a taxa considerada mais importante é taxa mínima de proposta das operações principais de refinanciamento – que regula operações entre bancos. Esta taxa directora influencia directamente todas as taxas praticadas por instituições financeiras na zona euro.
Euribor
A Euribor (Euro Interbank Offer Rate) é determinada por um painel de 57 bancos de países da União, e calculada diariamente para diversos prazos do mercado financeiro. A Euribor (a três, seis ou doze meses) é a taxa indexante usada no cálculo da taxa de juro dequase todo o crédito à habitação em Portugal.
Spread
É a taxa adicional acrescentado pelos bancos à taxa indexante – grosso modo, constitui o “lucro” dos bancos. Alguns bancos têm actualmente planos de “spread zero”, que, no entanto, implicam encargos adicionais.
TAE (taxa anual efectiva)
Além da taxa de juro e do spread, há uma série de custos associados ao crédito à habitação (despesas de avaliação, seguros, etc.); a TAE reflecte a taxa “real” que o devedor terá de pagar.

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publicado por Fernando Roriz às 14:06
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